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Sindifiscal homenageia filiadas que fazem hora-extra no amor para preencher a lacuna da paternidade


Quem é a figura paterna da sua vida? Comemorar o dia dos pais desperta em cada pessoa significados diferentes. Isso porque o amor, a relação e a própria personificação da figura do pai tem diversas formas tamanhos, cores e sentidos, a depender da formação familiar do indivíduo. No ano passado, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou 57,3 milhões de lares chefiados por mulheres, o que significa que 38,7% das família do Brasil são comandadas pelas famosas “pães” (pai+mãe), mulheres que por motivos diversos, cada uma com sua história, atendaram ao chamado para preencher a lacuna da figura paterna. Por isso, o Sindifiscal aproveita este dia 12 de agosto para homenagear as “pães” que existem entre suas filiadas.



Cejane



A chefia da mulher em uma casa é uma situação tão comum quanto desafiadora. É o que confirma a auditora Cejane Soares (54), mãe de Rivaldo Soares (27). Ainda durante a infância do garoto ela se tornou “pãe” quando percebeu que o pai do menino “deixou de se fazer presente nas atividades de rotina”. Sobre as dificuldades dessa trajetória, ela destaca “a renúncia de muitas coisas, dentre as quais, o tempo de cuidar de si mesma, o tempo do descanso”. Por conta da dedicação ao menino, Cejane revela que por muitas vezes sentiu que deixou a desejar até mesmo “no trabalho fora de casa”.





Educar e corrigir são itens que estiveram no topo da relação de prioridades da auditora durante a educação do filho. Outros fatores também integram a lista. Mas o principal deles, na avaliação de Cejane é “demonstrar que o fato de não ter um pai presente não faz um filho diferente dos outros filhos”. De acordo com ela, as pães precisam empregar doses extras de amor. “É cuidar mais e se dedicar ainda mais, é amar em dobro. Apesar das inúmeras dificuldades encontradas, hoje vejo o meu filho sendo uma pessoa do bem e que reconhece o meu esforço para criá-lo dando o melhor de mim.



Adelaine



Agosto de 2015 marcou a vida de Adelaine Lima de uma forma triste, com a perda do esposo, o auditor Dimas Oliveira Santos. O falecimento do auditor trouxe à mãe de Gabriel (11) e Julia (14) a missão de reconfigurar sua jornada. “Foi o momento em que pensei: agora é comigo. Tive medo de errar. Meu esposo sempre foi sensato e sereno com nossos filhos. Eu tive muito medo de ser injusta”, conta Adelaine, que também recorda a apreensão em ter que lidar com as inquietudes dos meninos.



Durante a entrevista ao Sindifiscal, ela parafraseou as expressões de saudade do caçula Gabriel. “Estou com tanta saudade de deitar na rede com o meu pai. A gente conversava sobre muitas coisas, até mesmo filosofia, eu não entendia muito, mas ele falava”.



Ainda sobre os receios de encarar sozinha o cuidado com os filhos, Adelaine cita a falta de jeito no início para cumprir tarefas que antes eram de Dimas. “Tinha coisas que eu achava que só ele sabia fazer. Quando (Dimas) fazia as compras no supermercado, era a quantidade certa para o mês, não sobrava e nem faltava. O tempo também possibilitava que ele fosse presente nas reuniões da escola, nas idas ao médico, os momentos de leitura. E eu pensava que não seria capaz de realizar tudo isso”.



Mas Adelaine, professora universitária e “pãe”, é um misto de doçura e bravura. E com leveza e sabedoria empenha esforços para suprir a ausência do esposo, que nas palavras dela: “tinha resposta para tudo”. Se o saudoso auditor era nota dez no diálogo com as crianças, Adelaine não fica atrás. A receita ela revela: Conversar de forma honesta.



Magaly

As “pães” não revolucionam apenas a vida dos filhos, elas são exemplo de luta por onde quer que passem, inclusive em seus ambientes de trabalho. Não é à toa que elas também compõem a diretoria do Sindifiscal, como é o caso da diretora de comunicação Magaly Guedes.



A definição da diretora traz um emaranhado de sentimento que as pães precisam administrar. “Ser mãe e pai ao mesmo tempo é multiplicar tarefas. É aprender todos os dias a ser corajosa e delicada. É preciso chamar atenção e depois acalentar, chorar e depois sorrir, abrir mão do eu para viver o nós. É conduzir e educar, deixar ir quando o coração pede para ficar”.


E é com base na ciência que o Sindifiscal encerra esta matéria, afirmando que o amor de uma pãe é suficiente para fazer um filho feliz: um estudo realizado pela Universidade de Amsterdã concluiu, através da comparação entre 69 mães que educam sozinhas os seus filhos e 59 mães heterossexuais casadas, que não há diferença comportamental no que tange ao bem estar entre as categorias de filhos educados com uma única figura de autoridade e os que pertencem à uma estrutura tradicional de família. O Sindifiscal reverencia a ousadia e a garra das “pães” que não desistiram dos seus filhos, mesmo quando a vida parecia apresentar tantos motivos para isso.